Introdução: Neoplasias neuroendócrinas (NNE) são predominantemente consideradas doenças esporádicas,
no entanto, entre 5-20% dos casos ocorrem no contexto de síndromes genéticas. Objetivo: Neste trabalho examinamos pacientes não-sindrômicos que apresentavam NNE gastroenteropancreáticas
(GEP) em busca de mutações germinativas em genes previamente associados a síndromes
que predispõe a NNE. Método: Noventa e três pacientes com qualquer grau de NNE GEP e sem diagnóstico clínico ou
molecular de qualquer síndrome ou histórico familiar de câncer foram incluídos neste
estudo. O DNA de leucócitos obtidos a partir de sangue periférico foi usado para seqüenciar
toda a região codificante dos genes MEN1, RET, VHL, NF1, TSC1 e TSC2. O impacto funcional
das variantes “missense” foi analisado por preditores de impacto funcional (SIFT e
Polyphen2). Mutações validadas por sequenciamento Sanger, com impacto funcional previsto
como deletério e com frequência alélica populacional (MAF) menor que 0,05% (segundo
o banco de dados populacional “ExAC”) foram consideradas para as análises subsequentes.
Resultados: Foram encontrados 8 (8,6%) pacientes portadores de mutações “missense” no gene TSC2
e 1 (1,1%) em RET, todas preditas como deletérias. O enriquecimento de mutações deletérias
foi avaliado por duas abordagens estatísticas independentes e confirmado no gene TSC2.
Conclusão: Como conclusão, descrevemos uma alta prevalência de mutações germinativas “missense”
deletérias em pacientes com NNE GEP. Estes pacientes são clinicamente indistinguíveis
dos demais, sem quaisquer sinais ou sintomas de esclerose tuberosa.