Introdução: O mesilato de Imatinibe é um fármaco alvo específico que melhorou a sobrevida e o
bem-estar dos pacientes com Leucemia mieloide crônica (LMC) e é utilizado como tratamento
de primeira linha da LMC. A principal característica dessa leucemia é a presença do
cromossomo filadelfia, que consiste na translocação cromossômica entre os cromossomos
9 e 22 [t(9;22) (q34; q11)], e resulta na formação da proteína BCR-ABL com atividade
enzimática tirosina-quinase constitutiva e desregulada. Aproximadamente 25% dos pacientes
que utilizam o mesilato de imatinibe têm resistência ao medicamento, seja por toxicidade
ou por falha na resposta. Ainda que os eventos de toxicidade grave ao mesilato de
imatinibe sejam raros, há casos em que é necessária a interrupção do tratamento por
esta causa. Sabe-se que a ancestralidade é um fator que influencia a resposta ao tratamento
em alguns esquemas quimioterápicos e já é utilizado como critério para a dosagem correta.
Denota-se então a importância do estudo da ancestralidade, principalmente em populações
miscigenadas como a da região norte do Brasil, que compõem a amostra desse estudo.
Objetivo: O objetivo deste estudo foi analisar a ancestralidade genômica como um potencial
fator de risco a toxicidades à terapia com mesilato de imatinibe. Método: A amostra foi formada por 105 pacientes com LMC e tratados com mesilato de Imatinibe
atendidos em um hospital de referência em tratamento Oncológico do Estado do Pará.
A análise genética foi feita por um painel de 61 marcadores de informativos de ancestralidade
em duas reações de PCR multiplex. As proporções individuais da ancestralidade genômica
foi estimada no software Structure e as análises estatísticas no programa SPSS 23.0.
Resultados: Observamos que entre os pacientes investigados 8% desenvolveram algum tipo de toxicidade.
Em relação às médias de ancestralidade obtivemos os seguintes dados: europeus (paciente
sem toxicidade - 47%; pacientes com toxicidade – 37%), africanos (paciente sem toxicidade
– 24%; pacientes com toxicidade – 18%) e ameríndios (paciente sem toxicidade – 29%;
pacientes com toxicidade – 45%). Foram encontradas diferenças estatisticamente significativa
para a ancestralidade ameríndia nos grupos com e sem toxicidade (p= 0,04). Conclusão: Concluimos que a elevada contribuição ameríndia é um fator importante associado com
o desenvolvimento à toxicidade a terapia com o mesilato de imatinibe.