Tumores Neuroendócrinos (TNE) não são mais raridades e com técnicas de diferenciação
celular e Imunohistoquímica se tornou possível identificar o amplo espectro que apresentam.
São neoplasias epiteliais com diferenciação neuroendócrina predominante, crescimento
lento, expressando marcadores proteicos e peptídeos regulatórios específicos. Os TNE
do Pâncreas são classificados como funcionantes (produzem hormônios), não funcionantes,
benignos, indeterminados ou malignos. Temos os Gastrinomas, Insulinomas, Vipomas,
Glucagomas, Somatostinomas e Ppomas, podendo ser correlacionados a Neoplasia Endócrina
Múltipla 1 ou não. Os tipos predominantes são Insulinoma, Gastrinoma e Vipoma gerando
respectivamente a Tríade de Whipple, Síndrome de Zollinger-Ellison e Síndrome de Verner-Morrison.
O diagnóstico é feito através de sintomatologia dependente do tipo de Neoplasia apresentada
e por métodos de imagem, como TC, RM e Ecoendoscopia tendo como opção a cintilografia
dos receptores de somatostatina (pouco eficiente em Insulinomas pela sua baixa densidade
de receptores de somatostatina) e TC por emissão de próton único, além de métodos
de diagnóstico laboratorial analisando níveis de glicemia de jejum, gastrina sérica,
insulina e peptídeo vasoativo intestinal, entre outros. Em casos raros, onde existe
grande suspeita de quadro, porém exames de imagem negativos, se pode optar por abordagem
cirúrgica por Laparotomia Exploratória. Em tumores localizados a ressecção é o pilar
do tratamento com intenção curativa, porém, em casos não ressecáveis ou doença metastática
a seleção do tratamento é guiada pelo grau de diferenciação podendo ser utilizada
a cirurgia citorredutora ou utilizando abordagens mais agressivas como a Pancreatoduodenectomia.
O tratamento clínico a ser adotado varia de acordo com o sítio de localização do tumor
primário e suas características. Classicamente há uma resposta rápida à quimioterapia
citotóxica baseada em platina, porém a duração da resposta é curta. Já os análogos
da somatostatina (SSAs) são adotados para controle dos sintomas do excesso hormonal
atuando também como agentes antiproliferativos nos pacientes com doença metastática.
A ressecção cirúrgica, quando possível, é a melhor alternativa, pois além de promover
uma maior intenção de cura ela apresenta alívio imediato do quadro sintomático, diminuindo
taxas de metastatização, melhor prognóstico e com grande relevância no aumento da
sobrevida oferecida ao paciente.