Prezado Editor,
Avaliei com entusiasmo o artigo intitulado “Série temporal das internações hospitalares
por queimaduras em pacientes pediátricos na Região Sul do Brasil no período de 2016
a
2020[1]”. Em minha opinião, é um excepcional
manuscrito que será prestigiado cada vez mais pelos leitores.
O artigo evidencia e analisa os casos de hospitalizações por queimaduras na faixa
etária
de 0 a 14 anos, que ocorreram entre 2016 a 2020, nos estados de Santa Catarina, Rio
Grande do Sul e Paraná. Esse é um tema muito importante para debate, pois a prevenção
de
queimaduras em crianças deve ser feita por adultos, sejam eles os pais ou demais
responsáveis.
Entretanto, gostaria de complementar em relação à pandemia da COVID-19, que se
estabeleceu no ano de 2020 no Brasil, e a qual não foi elencada no artigo. Entre os
anos
analisados, o estudo demonstrou que o segundo maior número de internações hospitalares
ocorreu em 2020, sendo que tal fato pode estar relacionado ao isolamento social ocorrido
neste ano. Segundo uma revisão literária sobre o tema, a maior parte das queimaduras
ocorrem em domicílio[2]. Nesse sentido, devido à
quarentena, muitas creches e escolas foram fechadas, acarretando numa maior presença
das
crianças em suas casas. Além disso, dentre as medidas fornecidas pelo Ministério da
Saúde, estava o estímulo ao uso de álcool para higienização de mãos e objetos[3].
Contudo, conforme os próprios autores citaram, o álcool líquido é a segunda principal
causa de queimadura na faixa pediátrica. Visto isso, também é importante salientar
que a
comercialização do álcool 70% no Brasil era vedada desde 2002. Todavia, frente ao
estado
de emergência de saúde vivido recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) autorizou que esse produto voltasse ao comércio[4].
Espero que esta explicação tenha sido capaz de mostrar a provável influência da pandemia
nos números de internações por queimaduras em 2020.
Bibliographical Record
CINTIA DE SOUZA BORGES. Série temporal das internações hospitalares por queimaduras
em pacientes pediátricos na Região Sul do Brasil no período de 2016 a 2020. Revista
Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Surgery 2024;
39: 217712352024rbcp0925pt.
DOI: 10.5935/2177-1235.2024RBCP0925-PT