CC-BY-NC-ND 4.0 · Arq Bras Neurocir
DOI: 10.1055/s-0037-1598651
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Thieme-Revinter Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Epidemiologia e estimativa de custo das cirurgias para síndrome do túnel cubital realizadas pelo Sistema Único de Saúde no Brasil (2005-2015)

Epidemiology and Estimated Cost of Surgery for Cubital Tunnel Syndrome Conducted by the Unified Health System in Brazil (2005-2015)
Marcelo José da Silva de Magalhães
1  Hospital Aroldo Tourinho, Montes Claros, MG, Brazil
,
Gabriella Reis Silveira Barros Bernardes
2  Graduanda em Medicina, Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte), MG, Brazil
,
Aline Dias Nunes
2  Graduanda em Medicina, Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte), MG, Brazil
,
Denilson Procópio Castro
2  Graduanda em Medicina, Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte), MG, Brazil
,
Luiza Bizarria Souza Oliveira
2  Graduanda em Medicina, Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte), MG, Brazil
,
Marcos Matheus Dias Basílio
2  Graduanda em Medicina, Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte), MG, Brazil
› Author Affiliations
Further Information

Address for correspondence

Marcelo José da Silva de Magalhães
Hospital Aroldo Tourinho, Montes Claros
Minas Gerais
Brazil   

Publication History

31 October 2016

08 December 2016

Publication Date:
17 February 2017 (eFirst)

 

Resumo

Introdução A síndrome do túnel cubital (STCB) é responsável por um dos tipos de neuropatia do nervo ulnar, sendo a segunda causa de neuropatia compressiva do membro superior, superada apenas pela síndrome do túnel do carpo.

Objetivo Descrever os dados epidemiológicos do código cirúrgico de transposição do nervo cubital no tratamento da STCB realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de 2005 a 2015.

Metodologia Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo cujos dados foram obtidos por meio de consulta à base de dados disponibilizada pelo DATASUS.

Resultado/Discussão Foram realizados 774 procedimentos ao longo deste período, e, apesar do acréscimo de 20,3 milhões de pessoas à população brasileira, constatou-se incidência de 0,33:1.000.000. A epidemiologia nacional e internacional aponta para uma discreta prevalência do procedimento em homens, entre a quarta e quinta décadas de vida. A baixa taxa de permanência e a ausência de óbitos hospitalares relacionados ao procedimento atestam que este é seguro, com baixa taxa de morbimortalidade.

Conclusão A incidência anual da STCB na população brasileira submetida ao tratamento cirúrgico, pelo SUS, em 2005, foi de 1:7.670.833, e em 2015, de 1:2.174.468. Foram gastos, para cada procedimento cirúrgico, de 2005 a 2015, valores que oscilaram entre R$ 318,88 e R$ 539,74. Observou-se média de 1,85 dias de permanência hospitalar para a realização da cirurgia da STCB.


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Abstract

Introduction cubital tunnel syndrome (STCB) is responsible for one of the types of ulnar nerve neuropathy and is the second cause of compressive neuropathy of the upper limb, only surpassed by carpal tunnel syndrome.

Objective it is to describe the epidemiological data of the surgical code ulnar nerve transposition in the treatment of STCB, performed by the Unified Health System (SUS) from 2005 to 2015.

Methodology this is a descriptive epidemiological study, which data were obtained through consultation based on data provided by DATASUS.

Results / Discussion 774 procedures were performed during this period, despite the increase of 20.3 million people in the Brazilian population showed an incidence of 0.33 / 1,000,000. National and international epidemiology point to a slightly higher prevalence of the procedure between men, in the fourth and fifth decades of life. Low permanence rate, as well as the absence of hospital deaths related to the procedure infers that the procedure is safe with low morbidity and mortality rates.

Conclusion the annual incidence of the cubital syndrome in Brazilian population submitted to surgical treatment for the period 2005 by SUS was 1/ 7.670.833 and 2015 was 1/ 2.174.468. The values spent in each surgical procedure during the same period range from R$ 318.88 to R$ 539.74. There was an average of 1.85 days of hospital stay for the realization of STCB surgery.


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Introdução

A síndrome do túnel cubital (STCB) é responsável por um dos tipos de neuropatia do nervo ulnar, sendo a segunda causa de neuropatia compressiva do membro superior, superada apenas pela síndrome do túnel do carpo. Nota-se que esse nervo, por possuir um trajeto muito longo no membro superior, pode ser comprimido em vários pontos, sendo a região do cotovelo o local de maior comprometimento.[1] [2]

Diversas etiologias estão relacionadas ao desenvolvimento da STCB. Entre as quais, podem ser citadas: alterações metabólicas, anomalias congênitas, sequela de traumas do cotovelo, tumores, osteoartrose e subluxação do nervo no epicôndilo medial durante os movimentos de flexão do cotovelo.[3]

Dados epidemiológicos demonstram que a sua incidência mundial é estimada em 25 casos por 100 mil pessoas/ano, sendo os homens 2 vezes mais afetados que as mulheres, com maior acometimento entre a quarta e quinta décadas de vida.[1] [2]

Na Itália, observa-se a mesma incidência mundial: 25 casos por 100 mil pessoas/ano.[4] Na Alemanha, estudos apontam uma incidência de 24,7 casos por 100 mil pessoas/ano, acometendo dois homens para cada mulher.[5] Já na Holanda, percebe-se uma incidência anual de 21-25 casos por 100 mil habitantes.[6] Em contrapartida, estudos epidemiológicos americanos evidenciaram maior incidência da STCB em mulheres, por volta da quinta década de vida, afetando cerca de 376 por 100 mil pessoas/ano. Anualmente, são realizadas 75 mil cirurgias de descompressão nos Estados Unidos.[7] [8]

Observa-se que são escassos os estudos relacionados à STCB na população brasileira, no que se refere a variáveis como idade, sexo, raça, ocupação e características clínicas dos pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico.

O diagnóstico é baseado em sinais e sintomas, testes sensitivos e motores, e estudo eletroneuromiográfico dos membros superiores. Os pacientes acometidos por esta síndrome frequentemente apresentam parestesias no território de distribuição do nervo ulnar, paresia e/ou hipotrofia da musculatura intrínseca da mão. A extensão da disfunção do nervo ulnar é classificada em três graus, segundo McGowan: grau I, neuropatia sensitiva isolada; grau 2, neuropatia sensitiva e motora sem atrofia muscular; grau 3, neuropatia sensitiva e motora com atrofia muscular.[2] [9] A eletroneuromiografia dos membros superiores e a avaliação clínica foram consideradas os melhores parâmetros para a tomada de decisão cirúrgica sobre os pacientes com STCB.[2]

O tratamento da STCB pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo dos sinais e sintomas clínicos, de acordo com a classificação de McGowan. Quando os casos são leves ou moderados, pode-se optar pelo tratamento conservador, devido ao potencial de regeneração espontânea. Já nos quadros graves ou quando não há melhora clínica, indica-se a realização da descompressão cirúrgica.[9]

Várias abordagens cirúrgicas são utilizadas no tratamento da neuropatia ulnar no cotovelo, incluindo descompressão simples, descompressão endoscópica in situ, a transposição do nervo ulnar (subcutânea, intramuscular e submuscular), e epicondilectomia medial.[3] [10] [11] Há discordância quanto ao melhor método cirúrgico, sendo a transposição anterior a técnica mais utilizada.[12]


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Objetivo

Descrever os dados epidemiológicos a respeito do número de procedimentos anuais, os gastos hospitalares, o tempo de internação e o número de óbitos dos pacientes admitidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no período de 2005 a 2015, utilizando o código cirúrgico de transposição do nervo cubital.


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Metodologia

Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, cujos dados foram obtidos por meio de consulta à base de dados disponibilizada pelo DATASUS (http://www.datasus.gov.br), acessada nos meses de agosto e setembro de 2016. A população do estudo foi constituída por todos os casos de pacientes submetidos à técnica de transposição do nervo cubital (código 0403020107), no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2015. A partir dos dados obtidos no DATASUS, foram construídas novas tabelas, por meio do programa SPSS 13.0. Por se tratar de um banco de domínio público, não foi necessário submeter o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa. Posteriormente, realizou-se um levantamento bibliográfico nas bases de dados científicas, buscando publicações brasileiras e estrangeiras, na PubMed, Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), indexadas nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), MEDLINE (National Library of Medicine) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online) com os seguintes descritores: epidemiology, cubital e syndrome. Para tanto, foi realizado um corte temporal dos artigos publicados de 2010 a 2016, a fim de restringir a pesquisa. Utilizou-se como critérios de inclusão: periódicos indexados publicados em revistas nacionais e internacionais, escritos em língua inglesa e portuguesa.

Os critérios de exclusão levaram em consideração os artigos cujos títulos e resumos não se enquadravam nos objetivos da pesquisa. A partir da estratégia definida, a busca bibliográfica resultou em uma amostra final constituída por vinte publicações, sendo oito indexadas na base de dados LILACS, cinco na base de dados MEDLINE, e sete na base de dados SciELO. Os estudos foram lidos criteriosamente em sua íntegra, e selecionados por atenderem rigorosamente aos critérios de inclusão, sendo considerados pertinentes para fazerem parte do estudo proposto.


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Resultados

A [Tabela 1] apresenta os dados referentes aos procedimentos cirúrgicos que utilizaram a técnica de transposição do nervo cubital, de janeiro de 2005 a dezembro de 2015. Do total de 774 procedimentos, 140 ocorreram em 2012, ano que teve o maior número de casos, representando 18,09% do total. Comparando os anos de 2005 e 2015, observou-se um aumento de 70 procedimentos, o que representa um acréscimo de 295,8%. Em uma análise comparativa entre o número de procedimentos, neste mesmo período, e a população brasileira, observou-se que, mesmo com o aumento populacional, a incidência anual dos pacientes submetidos à cirurgia permaneceu baixa, variando de 1 caso para cada 1.385.000 habitantes a 1 caso para cada 7.670.833 habitantes ([Tabela 2]).

Tabela 1

Distribuição total do número de procedimentos de transposição do nervo cubital, de 2005 a 2015, no Sistema Único de Saúde (SUS)

Ano

Total AIH

%

2005

24

3,10

2006

42

5,43

2007

24

3,10

2008

64

8,27

2009

63

8,14

2010

65

8,40

2011

77

9,95

2012

140

18,09

2013

87

11,24

2014

94

12,14

2015

94

12,14

Total

774

100

Fonte: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiuf.def.


Tabela 2

Incidência anual de pacientes com quadro de síndrome do nervo cubital que foram submetidos a tratamento cirúrgico, de 2005 a 2015, no SUS

Ano

Total AIH

População brasileira

(milhões)

Incidência

2005

24

184,1

1:7.670.833

2006

42

186,7

1:4.445.238

2007

24

183,9

1:7.662.500

2008

64

189,6

1:2.962.500

2009

63

190,7

1:3.026.984

2010

65

191,4

1:2.944.615

2011

77

192,3

1:1.497.402

2012

140

193,9

1:1.385.000

2013

87

201,0

1:2.310.344

2014

94

202,7

1:2.156.382

2015

94

204,4

1:2.174.468

Fonte: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiuf.def e www.ibge.gov.br.


Observa-se na [Tabela 3] que, em relação à análise quantitativa por região, a maioria das cirurgias ocorreu na região Sudeste. Foram 459 procedimentos, representando 59,3% do total. Na região Norte, realizaram-se 18 procedimentos cirúrgicos, sendo a menor quantidade entre as regiões, equivalente a 2,32%. Os valores totais e médios dos custos com o procedimento, bem como os valores dos custos hospitalares e profissionais estão representados na [Tabela 4]. O valor médio com os custos hospitalares oscilou de R$ 315,23, menor valor no ano de 2005, a R$ 515,25, menor valor em 2015, evidenciando-se um aumento de 63,44%. A [Tabela 5] mostra os dados referentes à média dos dias de permanência no hospital, bem como o número de óbitos. Com base em tais dados, nota-se uma variação entre 0,7 dias em 2012 e 3,5 dias em 2009, com média geral de 1,85 dias. Já em relação à taxa de óbito, verificou-se que a mesma foi nula durante todo o período em estudo.

Tabela 3

Distribuição do número de procedimentos de transposição do nervo cubital, de 2005 a 2015, por região, no SUS

Região

Número

%

Norte

18

2,33

Nordeste

65

8,40

Sudeste

459

59,30

Centro-oeste

50

6,46

Total

774

100

Fonte: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiuf.def.


Tabela 4

Distribuição dos custos em real, moeda brasileira, decorrentes dos procedimentos de transposeção do nervo cubital, de 2005 a 2015, no Sistema Único de Saúde (SUS)

Ano

Valor total

Valor médio

Valor de serviços hospitalares

Valor de serviços profissionais

2005

7.653,15

318,88

4.285,71

2.352,65

2006

13.568,02

323,05

7.616,77

4.094,25

2007

7.957,53

331,56

4.484,07

2.344,19

2008

28.017,92

437,78

17.389,13

10.628,79

2009

27.633,80

438,63

17.204,90

10.428,90

2010

28.770,11

442,62

17.645,43

11.124,68

2011

38.797,30

503,86

20.862,28

17.935,02

2012

72.725,95

519,47

37.963,39

34.762,56

2013

45.265,36

520,29

23.436,17

21.571,57

2014

52.059,84

553,83

27.390,03

23.381,67

2015

50.735,42

539,74

25.812,66

23.369,12

Fonte: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiuf.def.


Tabela 5

Distribuição média dos dias de permanência no hospital e número de óbitos referentes aos procedimentos de transposição do nervo cubital, de 2005 a 2015, no SUS

Ano

Média de permanência

Óbitos

2005

2,1

2006

2,1

2007

1,8

2008

1,8

2009

3,5

2010

1,9

2011

1,4

2012

0,7

2013

1,2

2014

1,8

2015

2,1

Média

1,85

-

Fonte: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiuf.def.


Por sua vez, a [Tabela 6] retrata a distribuição do número de procedimentos, por tipo/código, realizados no tratamento da STCB, bem como outros códigos que poderiam ser utilizados tanto para a STCB quanto para outras patologias compressivas de nervos periféricos. De 2005 a 2007, os procedimentos foram realizados com os seguintes códigos: transposição do nervo cubital (código do procedimento: 0403020107) e neurólise (código do procedimento: 40200043). A partir de 2008, outros três códigos passaram a ser adotados: neurólise não funcional de nervos periféricos (código do procedimento: 0403020077), microneurólise de nervo periférico (código do procedimento: 0403020050) e tratamento cirúrgico de neuropatia compressiva com ou sem microcirurgia (código do procedimento: 0403020115).

Tabela 6

Distribuição do número de procedimentos realizados de 2005 a 2015, no Sistema Único de Saúde (SUS), especificamente para tratamento da síndrome do túnel cubital (STCB), além de outros procedimentos não específicos para essa patologia

Ano

Transposição do nervo cubital

Neurólise não funcional de nervos periféricos

Microneurólise de nervo periférico

Tratamento cirúrgico*

Neurólise

Total

2005

24

932

956

2006

42

1.181

1.223

2007

24

899

923

2008

64

3.123

4.376

5.151

12.714

2009

63

3.453

5.024

6.015

14.555

2010

65

3.157

4.874

5.988

14.084

2011

77

3.049

4.934

6.532

14.592

2012

140

3.291

5.059

7.139

15.629

2013

87

3.021

4.821

7.156

15.085

2014

94

3.134

4.918

7.064

15.210

2015

94

3.917

6.413

8.508

18.932

Total

774

26.145

40.419

53.553

3.012

123.903

*tratamento cirúrgico de neuropatia compressiva com ou sem microcirurgia.


Fonte: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiuf.def.



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Discussão

Foram realizados 774 procedimentos cirúrgicos, utilizando a técnica de transposição do nervo cubital (código do procedimento: 0403020107), de janeiro de 2005 a dezembro de 2015. Considera-se este o único código específico para o tratamento cirúrgico da síndrome do túnel cubital disponível pelo SUS, segundo dados obtidos por meio do sistema de informação.

Ao longo do período de estudo, houve um aumento significativo na utilização da técnica de transposição do nervo cubital, visto que em 2005 foram realizados 24 procedimentos, e em 2015, 94 procedimentos, evidenciando-se um aumento 295,8% durante o período estudado.

A população brasileira apresentou um acréscimo de 20,3 milhões de indivíduos, durante o período estudado. Nota-se que a incidência anual em 2005, quando a população estimada era de 184,1 milhões, foi de 0,13:1.000.000 habitantes, e em 2015, quando a população era de 204,4 milhões, de 0,46:1.000.000. Por sua vez, percebe-se que em 2012 houve a maior incidência, com 0,72:1.000.000 habitantes. Por fim, a incidência anual de síndrome do cubital apresentou média de 0,33:1.000.000.

Um estudo europeu, realizado no Centro Hospitalar do Tâmisa e Sousa, em Portugal, avaliou 36 pacientes (17 homens e 19 mulheres) com diagnóstico de STCB que foram submetidos à transposição do nervo cubital, de 2006 a 2009. A média de idade dos pacientes foi de 41,6 anos (23-72 anos). Desses, 78% dos pacientes, com neuropatia severa, melhoraram após a cirurgia, com taxa de satisfação de 86%, sendo que 72% retornaram às atividades diárias sem limitações.[3]

No continente asiático, um estudo realizado na Coreia, de 2010 a 2012, com 69 pacientes submetidos à cirurgia de transposição do nervo cubital, mostrou média de idade de 36 anos, com prevalência no sexo masculino (59%).[13]

Nos Estados Unidos, um estudo envolvendo 25 pacientes (14 homens e 11 mulheres) submetidos à cirurgia, entre 2003 e 2009, observou média de idade de 53 anos da população estudada. Desta, vinte pacientes foram submetidos à cirurgia unilateral, e cinco, à bilateral.[14]

No Brasil, em um estudo realizado entre 2001 e 2006, no Instituto da Mão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com 21 pacientes com STCB, tratados com a cirurgia de transposição do nervo cubital, 12 (57,1%) foram homens. Verificou-se que a média de idade dos pacientes foi de 51,6 anos.[15] Ainda no Brasil, no Hospital Sarah Brasília, foram estudados 58 casos entre 2001 e 2007, seis operados bilateralmente. Neste estudo, observou-se o predomínio no sexo feminino e preponderância da faixa etária de 40-50 anos.[16]

Baseando-se nos estudos acima mencionados, pode-se inferir que a epidemiologia nacional e internacional aponta para uma discreta prevalência do procedimento de transposição do nervo cubital em homens, entre a quarta e quinta décadas de vida. Porém, ainda são escassos os dados referentes à prevalência e à incidência anual, bem como às despesas hospitalares.

Na análise quantitativa por regiões, observou-se o seguinte: na região Norte, realizou-se o menor número de cirurgias (18), enquanto o maior número foi observado na região Sudeste (459), respondendo por 59,30% do total. Estes dados sugerem que alguns fatores poderiam justificar essa diferença, tais como: densidade populacional, tipo de atividade laborativa, acesso à saúde por parte do paciente e capacidade do profissional médico em reconhecer a patologia.

De acordo com o DATASUS, foram gastos R$ 7.653,15 em intervenções cirúrgicas para a STCB, em 2005, sendo o custo por procedimento correspondente a R$ 318,88. Já em 2015, o total gasto foi de R$ 50.735,42, correspondendo a R$ 539,74 por procedimento, demonstrando um aumento de 69,25% no valor médio do custo hospitalar com tal procedimento. Vale salientar que, de acordo com a tabela do SUS, pagou-se R$ 432,60 por procedimento, entre os anos de 2008 e 2011, com aumento para R$ 515,25 a partir do ano de 2012, correspondendo a um acréscimo de 19,1%.

Com relação à média de dias de permanência, também definida como taxa de permanência mínima, percebeu-se uma oscilação entre 0,7 dias, em 2012, e 3,5 dias, em 2009, com média geral de 1,85 dias de internação para realização do procedimento cirúrgico. Ressalta-se que a taxa de óbito durante o período do estudo foi nula.

Importante considerar que alguns segmentos foram excluídos da análise proposta por este trabalho: os pacientes oriundos da rede privada de saúde; os pacientes com a STCB que foram tratados clinicamente, sem a necessidade de procedimento cirúrgico; os pacientes com essa patologia, submetidos ao tratamento cirúrgico utilizando outros códigos disponíveis na tabela SUS (neurólise, neurólise não funcional de nervos periféricos, microneurólise de nervo periférico e tratamento de neuropatia compressiva com ou sem microcirurgia). Os últimos quatro códigos apresentados totalizaram 120.117 procedimentos, durante o período estudado. Do total acima apontado, é possível inferir que haja uma fração de procedimentos não quantificada para STCB. Diante disso, é possível afirmar que os dados do presente estudo poderiam estar subestimados.


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Conclusão

A incidência anual de síndrome do túnel cubital na população brasileira submetida ao tratamento cirúrgico pelo SUS, entre 2005 e 2015, foi de 0,33:1.000.000. Foram gastos, para cada procedimento cirúrgico, durante esse mesmo período, valores que oscilaram entre R$ 318,88 e R$ 539,74. Observou-se média de 1,85 dias de permanência hospitalar para a realização da cirurgia da STCB. A taxa de óbito foi nula durante o período em estudo. Novos estudos epidemiológicos deveriam envolver a parcela da população proveniente do setor privado de saúde, bem como pacientes portadores da STCB que foram submetidos ao tratamento clínico.


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Marcelo José da Silva de Magalhães
Hospital Aroldo Tourinho, Montes Claros
Minas Gerais
Brazil