CC BY-NC-ND 4.0 · Rev Bras Ortop (Sao Paulo) 2021; 56(02): 213-217
DOI: 10.1055/s-0040-1708517
Artigo Original
Ombro e Cotovelo

Avaliação do uso de aplicativo de celular para auxílio no processo de reabilitação da cirurgia do ombro[*]

Article in several languages: português | English
1   Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
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1   Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
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1   Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
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1   Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
2   Centro de Reabilitação e Readaptação Dr Henrique Santillo, Goiânia, GO, Brasil
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1   Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
3   Hospital Ortopédico de Goiânia, Goiânia, GO, Brasil
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1   Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
› Author Affiliations
 

Resumo

Objetivo Avaliar a qualidade de um aplicativo de celular desenvolvido para orientar pacientes em período pós-operatório de procedimentos cirúrgicos do ombro.

Métodos Desenvolveu-se um aplicativo gratuito e de fácil acesso para auxiliar os pacientes em domicílio. Os indivíduos foram monitorados quanto ao uso do aplicativo e adaptação à sua prática antes do início da fisioterapia. Ao final de 6 semanas, aplicou-se um questionário qualitativo para avaliar a usabilidade do aplicativo.

Resultados Um total de 97% dos respondentes afirmaram que foi fácil executar o download do aplicativo, que os exercícios sugeridos foram prontamente entendidos, e relataram que indicariam o aplicativo. Noventa e três por cento da amostra concorda que o aplicativo fez com que se sentissem mais participativos com relação ao tratamento de sua doença, enquanto 90% consideraram o aplicativo autoexplicativo.

Conclusão O uso de uma plataforma virtual é uma ferramenta de compreensão sobre o tratamento e auxilia na prescrição médica de exercícios pós-operatórios domiciliares.


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Introdução

As orientações dadas pelo médico sobre o processo de reabilitação após um procedimento cirúrgico são essenciais para um bom resultado final e devem ser bem compreendidas pelo paciente. Os protocolos de reabilitação vêm sendo discutidos e aplicados há tempos, embora variem de acordo com o tipo da lesão tratada, orientação do serviço e preferência do cirurgião.

De forma geral, a reabilitação é tão importante quanto o procedimento cirúrgico, visto que a articulação do ombro está sujeita a uma rápida instalação de rigidez articular e atrofia no pós-operatório.[1] Deste modo, é importante que o paciente realize alguns movimentos antes de ser encaminhado para um serviço de reabilitação.[2]

À medida que o acesso à internet e as tecnologias aplicadas a smartphones avançam, tanto a população como a medicina tentam acompanhar esta evolução. Assim, a comunicação médico-paciente pode ser realizada de forma virtual através de aplicativos pelo celular[3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] para discutir orientações pós-operatórias, promovendo a retirada de dúvidas simples, o estreitamento da relação médico-enfermo.[7]

É inegável que a tecnologia por meio dos novos aplicativos de celulares foi desenvolvida, definitivamente, para facilitar a comunicação.[8] Sem dúvida o paciente torna-se atuante no seu tratamento,[4] sente-se incluído e, com isso, torna-se mais participativo.

Para esclarecer dúvidas relacionadas ao procedimento, foi desenvolvido um aplicativo com vídeos autoexplicativos para que o paciente possa rever a orientação de seu médico. O aplicativo não tem a intenção de tratar o paciente, sendo pela sua simplicidade, um meio de comunicação, sobre o qual o paciente deve seguir a prescrição do profissional. Deste modo, o presente estudo objetivou avaliar qualitativamente um aplicativo desenvolvido para orientar pacientes no período pós-operatório de procedimentos cirúrgicos do ombro, auxiliando o indivíduo no entendimento sobre o processo inicial de reabilitação.


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Materiais e Métodos

O trabalho consistiu na aplicação de um questionário para avaliação da percepção dos pacientes sobre a criação de um aplicativo que os oriente no pós-operatório em cirurgias realizadas no ombro. O questionário continha questões sobre a facilidade em se realizar o download, facilidade para o entendimento dos exercícios, possível indicação do aplicativo, posicionamento sobre a participação do paciente com relação ao tratamento da doença e se o indivíduo considerou o programa autoexplicativo.

O aplicativo foi criado a partir do software iGenApps (iGenApps, São Francisco, CA, EUA), disponível nos sistemas Android@ e Playstore. Este foi desenvolvido para ser utilizado de maneira gratuita, com linguagem simples e didática, através de uma sequência de textos, vídeos e ilustrações ([Figura 1]). A plataforma para sua criação foi o programaigenApps, que usa linguagem Java e auxilia na criação de aplicativos tanto para o sistema Android como para o iOS. A criação e desenvolvimento deste foram realizados por um dos autores ([Figura 2]).

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Fig. 1 Orientações para execução dos exercícios. Fonte: Arquivo pessoal do autor.
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Fig. 2 Tela Inicial do aplicativo de celular. Fonte: Arquivo pessoal do autor.

O software iGenApps permite a inserção de textos e links de vídeos. Deste modo, foram gravados uma série de vídeos pelo youtube, sendo que os links, além dos textos, foram disponibilizados no aplicativo.

Após a cirurgia, as orientações pós-operatórias foram realizadas normalmente pelo médico assistente. O diferencial foi a solicitação para que o paciente assistisse aos vídeos e relembrasse os exercícios demonstrados na primeira consulta pós-operatória.

Os pacientes foram monitorados quanto ao uso do aplicativo através de uma ferramenta do aplicativo que informava quantas vezes ele foi acessado. Ao final de 6 semanas de acompanhamento, época em que o paciente é encaminhado à reabilitação, foi fornecido o questionário para avaliação do uso e facilidade do aplicativo em questão, integralmente de forma qualitativa (Anexo 1).

Foram avaliados 32 pacientes, dentre os quais, 2 foram excluídos devido a falta de acesso a internet própria ou compartilhada (ambos moravam em zona rural). A aplicação do questionário foi realizada para os pacientes em pós-operatório dos hospitais credenciados relativos ao treinamento avançado de cirurgia do ombro e cotovelo da nossa instituição.


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Resultados

Dos 30 pacientes que compuseram a amostra, 13 eram do sexo masculino e 17 do sexo feminino, com idade média de 48 anos e nível escolar, em sua grande maioria, fundamental (10 pacientes) e médio (14 pacientes). Nenhum dos avaliados tinham pós-graduação, apenas dois tinham curso superior e três pacientes eram não escolarizados.

Observou-se que, a maioria dos pacientes acessaram o aplicativo entre 5 e 10 vezes ([Figura 3]).

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Fig. 3 Acesso dos pacientes ao aplicativo.

Com relação à aplicação do questionário, foi possível constatar que 97% dos respondentes referiram fácil download, alegaram facilidade de entendimento dos exercícios e indicariam o aplicativo para alguém que tivesse dúvidas em relação à realização desses no período após procedimento cirúrgico ao nível do ombro. Quando perguntados se o aplicativo fez com que se sentissem mais participativos com relação ao tratamento da sua doença, 93% referiram que sim e 90% consideraram o aplicativo autoexplicativo. Os dados referentes à aplicação do questionário estão descritos na [Tabela 1].

Tabela 1

Perguntas realizadas

Quantidade total de respostas

Respostas SIM

Respostas NÃO

Quantidade

Porcentagem (%)

Quantidade

Porcentagem (%)

Teve facilidade para realizar o download?

30

29

97

1

3

O aplicativo facilitou o entendimento dos exercícios?

30

29

97

1

3

Você indicaria o aplicativo para alguém que tivesse dúvidas em relação ao procedimento cirúrgico?

30

29

97

1

3

O aplicativo fez com que você se sentisse mais participativo com relação Ao tratamento de sua doença?

30

28

93

2

7

Você considera o aplicativo autoexplicativo?

30

26

87

4

13


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Discussão

Com relação ao entendimento dos exercícios, os entrevistados afirmaram que o aplicativo facilitou de alguma forma a compreensão. Um dos avaliados relatou: “os vídeos me trouxeram segurança para executar os exercícios prescritos pelo médico.” A visualização por meio dos vídeos, fez com que o paciente pudesse ver e rever os exercícios prescritos, diminuindo assim as dúvidas de execução em seu domicílio. Estes dados corroboram com o encontrado em uma pesquisa, na qual os aplicativos para smartphones foram considerados práticos.[10] Em contrapartida, a queixa sobre a baixa evidência científica sobre o uso de aplicativos aplicado à reabilitação,[3] validação, e falta de participação médica direta nos aplicativos não foram observados em nosso estudo. Houve participação médica direta em todas as fases da criação do aplicativo, e os exercícios propostos nos vídeos já haviam sido descritos e validados em outro estudo de reabilitação.[1]

A satisfação perante o uso do aplicativo foi observada na pergunta “Você indicaria o aplicativo para alguém que tivesse dúvidas em relação ao procedimento cirúrgico?,” para a qual uma porcentagem significativa demonstrou aceitação. Observam-se duas situações que justificam tal aceitação. A primeira é a familiaridade com a tecnologia e a acessibilidade, pois o paciente pode, no conforto de sua residência, acessar a qualquer hora o programa. Esta praticidade é um fato também observado em outros estudos.[4] [8] [9] [10] [11] [12] A segunda é a sensação de maior proximidade médico-paciente.[2]

Apesar da proximidade médico-paciente proposta pelo programa, dois pacientes consideraram o aplicativo com os vídeos bastante didático, mas afiramram que a explicação do médico sempre vai agregar mais informações. Um paciente referiu que o aplicativo não teve nenhum impacto em relação ao entendimento, visto que o médico já tinha sanado todas as suas dúvidas. Isso demonstra que, apesar do auxílio tecnológico, a presença do profissional é de extrema relevância em qualquer fase de tratamento.

Outros achados similares ao nosso estudo foram descritos por Harder et al.,[4] em que um aplicativo foi criado diretamente por um profissional de saúde, no caso em questão um fisioterapeuta, cuja finalidade era auxiliar na reabilitação do paciente após procedimento de mastectomia. O estudo teve impacto positivo, visto que o aplicativo auxiliou os pacientes no pós-tratamento para câncer de mama, porém com uma amostra inferior (nove pacientes) ao do presente estudo. Eaton et al.[13] avaliaram o uso da interface no aprendizado médico e concluíram que esta auxiliou no aprendizado dos residentes e fellowships de cirurgia.

Rassouli et al.[5] avaliaram o uso de diversos aplicativos por 20 dias, para reabilitação de pacientes com doença pulmonar crônica e concluiram que, além de ser uma ferramenta razoável, o aplicativo fornece informações adicionais aos médicos assistentes.

Outra pesquisa, realizada com o propósito de instruir exercícios domiciliares, avaliou cinco pacientes com capsulite adesiva e verificou que o uso da tecnologia é útil para reabilitação de pacientes. A vantagem do aplicativo proposto no estudo foi a capacidade de avaliar e registrar nele próprio o grau de amplitude de movimento e duração do exercício por paciente.[14] No presente estudo, o aplicativo não foi capaz de registrar o tempo de visualização de cada exercício; porém, foi possível identificar que este facilitou a comunicação e o entendimento dos exercícios, como o observado em diversas outras pesquisas.[4] [5] [6] [8]

Gilbert et al.[8] avaliaram a reabilitação de pacientes com doenças relativas ao ombro, através do aplicativo MUJO (Paris, France), e concluíram que ele não interfere em nenhum protocolo de reabilitação já estabelecido. Pelo contrário, pode ser implantado e adaptado na rotina do médico assistente e fisioterapeuta especialista.

É sempre útil destacar que o não-seguimento das prescrições ou sua realização de forma errônea podem ocorrer, visto que nesse caso o paciente é parte atuante de seu tratamento. Como estudos futuros, sugere-se avaliar os pacientes que tiveram acesso e usaram o aplicativo, comparando a qualidade de sua reabilitação com a do grupo que não tenha utilizado esta tecnologia.


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Conclusão

Conclui-se que o uso de uma plataforma virtual é útil para a compreensão sobre o tratamento e auxilia na prescrição médica de exercícios pós-operatórios domiciliares após procedimentos cirúrgicos de ombro.

O aplicativo proposto é de fácil entendimento, rápido para o sistema operacional e cumpre o objetivo de orientar o paciente como parte de seu tratamento, englobando-o como atuante no tratamento de sua própria enfermidade.


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Anexo 1 Questionário
  • 1) IDADE:

  • 2) GÊNERO: M / F

  • 3) ESCOLARIDADE:

    • NÃO ESCOLARIZADO

    • ENSINO FUNDAMENTAL

    • MÉDIO

    • SUPERIOR

    • PÓS GRADUADO

  • 4) POSSUI INTERNET PRÓPRIA OU COMPARTILHADA ?

    • SIM

    • NÃO

  • 5) NÚMERO DE ACESSOS AO APLICATIVO:

    • 0 A 5

    • 5 A 10

    • 10 A 15

    • MAIS QUE 15.

  • 6) TEVE FACILIDADE PARA REALIZAR O DOWNLOAD DO APLICATIVO?

    • SIM

    • NÃO

  • 7) O APLICATIVO FACILITOU O ENTENDIMENTO DOS EXERCÍCIOS?

    • SIM

    • NÃO

  • 8) VOCÊ INDICARIA O APLICATIVO PARA ALGUÉM QUE TIVESSE DÚVIDAS EM RELAÇÃO AO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO?

    • SIM

    • NÃO

  • 9) O APLICATIVO FEZ COM QUE VOCÊ SE SENTISSE MAIS PARTICIPATIVO COM RELAÇÃO AO TRATAMENTO DE SUA DOENÇA?

    • SIM

    • NÃO

  • 10) VOCÊ CONSIDERA O APLICATIVO AUTOEXPLICATIVO (OU PRECISARIA DO MÉDICO PARA TE ORIENTAR)?

    • SIM

    • NÃO


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Conflito de Interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

* Trabalho desenvolvido no Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil.


  • Referências

  • 1 Veado MAC, Flóra W. Reabilitação pós-cirúrgica do ombro. Rev Bras Ortop 1994; 29 (09) 661-664
  • 2 De Marco MA. Do modelo biomédico ao modelo biopsicossocial: Um projeto de educação permanente. Rev Bras Educ Med 2006; 30 (01) 60-72
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Endereço para correspondência

André Luis Giusti, MD
Departamento de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás
Goiânia, GO, 74605-020
Brasil   

Publication History

Received: 10 June 2019

Accepted: 20 December 2019

Article published online:
08 June 2020

© 2020. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution-NonDerivative-NonCommercial License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit. Contents may not be used for commercial purposes, or adapted, remixed, transformed or built upon. (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/)

Thieme Revinter Publicações Ltda.
Rua do Matoso 170, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20270-135, Brazil

  • Referências

  • 1 Veado MAC, Flóra W. Reabilitação pós-cirúrgica do ombro. Rev Bras Ortop 1994; 29 (09) 661-664
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Fig. 1 Orientações para execução dos exercícios. Fonte: Arquivo pessoal do autor.
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Fig. 2 Tela Inicial do aplicativo de celular. Fonte: Arquivo pessoal do autor.
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Fig. 1 Guidelines for exercises performance. Source: Author's personal file.
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Fig. 2 Mobile application home screen. Source: Author's personal file.
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Fig. 3 Acesso dos pacientes ao aplicativo.
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Fig. 3 Patient access to the application.