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DOI: 10.1055/s-0044-1781083
CIRURGIAS DE DIVISÃO DO ESFÍNCTER ANAL INTERNO: POR QUE O IMPACTO NA CONTINÊNCIA É MAIOR NAS PACIENTES SUBMETIDAS A ESFINCTEROTOMIA DO QUE NAS SUBMETIDAS A FISTULOTOMIA?
carlosmagnoqc@gmail.com
Introdução Pacientes submetidos a divisão do esfíncter anal interno (EAI) apresentam variação nos distúrbios da continência, sem correlação entre os achados de divisão do esfíncter e sintomas.
Objetivos Determinar a incidência de incontinência fecal (IF) em pacientes submetidas a divisão do EAI para tratamento de fissura anal e fístula anal interesfinctérica, correlacionando a gravidade dos sintomas de IF com o percentual de músculo dividido, medidas anatômicas e pressões anais em ambos os distúrbios.
Materiais e Métodos Estudo de coorte prospectivo incluindo mulheres submetidas a divisão do EAI devido a fistulotomia por fístula anal interesfincterica (G1) e esfincterotomia por fissura anal (G2). Após a cicatrização da ferida (entre 2 e 3meses), avaliaram-se as queixas de IF; a aplicação do escore de IF; as medições da anatomia com ultrassom endoanal 3D: extensão, percentual e ângulo do EAI dividido, extensão do esfíncter anal externo (EAE) anterior, EAE mais puborretal (EAE-PR), e gap (distância entre a borda proximal do EAE anterior e a borda proximal posterior do PR); e as pressões esfincterianas com manometria anorretal antes e após a cirurgia. Os dados foram comparados entre os grupos e correlacionado o escore de IF com medições anatômicas. Utilizou-se teste t de Student e teste do χ2.
Resultados Foram incluídas 63 mulheres: 30(48%) G1 e 33 (52%) G2. A média de idade e paridade foi similar entre os grupos. O percentual e a extensão do EAI dividido foram significativamente maiores no G1. No entanto, a prevalência de IF (60% versus 52%) e o escore (1,6 versus 2,0) foram similares nos dois grupos, assim como a extensão do EAE e do EAE-PR. Porém, a extensão do gap foi significativamente maior no G2 (p = 0.02). A pressão média de repouso (PMR) foi significativamente maior no G2 do que no G1 no pré-operatório. O comprimento e percentual de EAI dividido foi menor no G2, mas o impacto na IF foi similar nos dois grupos. A PRM diminuiu significativamente comparando-se o pré e pós-operatório de ambos os grupos.
Conclusão Nesta população, a incidência de IF acometeu metade das pacientes. Apesar da maior extensão e percentual de músculo dividido em pacientes submetidas a fistulotomia, a prevalência de sintomas e o escore de IF foram similares em ambos os grupos. As medições anatômicas demonstraram gap maior em pacientes após esfincterotomia. Esse achado resultou em aumento na assimetria do canal anal, e impactou a função do canal anal, uma vez que o EAI teve menor divisão e percentual pós-esfincterotomia do que pós-fistulotomia.
No conflict of interest has been declared by the author(s).
Publication History
Article published online:
27 February 2024
© 2024. Sociedade Brasileira de Coloproctologia. This is an open access article published by Thieme under the terms of the Creative Commons Attribution-NonDerivative-NonCommercial License, permitting copying and reproduction so long as the original work is given appropriate credit. Contents may not be used for commecial purposes, or adapted, remixed, transformed or built upon. (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/)
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