Arq Bras Neurocir
DOI: 10.1055/s-0036-1594260
Technical Note | Nota Técnica
Thieme Publicações Ltda Rio de Janeiro, Brazil

Mesencefalotomia, como eu faço: análise de 34 casos

Mesencephalotomy, How I Do It: Analysis of 34 Cases
Gustavo Veloso Lages
Ambulatório de Dor, Hospital da Santa Casa de Montes Claros e do Hospital Dilson Godinho, Montes Claros, MG, Brasil
,
José Oswaldo Oliveira Júnior
Departamento da Central da Dor e Estereotaxia do A. C. Camargo Cancer Center, São Paulo, SP, Brasil
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Publication History

08 June 2016

30 August 2016

Publication Date:
24 November 2016 (eFirst)

Resumo

O presente artigo objetiva desmistificar o uso da reticulotomia rostral mesencefálica (mesencefalotomia) no tratamento da dor crônica em pacientes oncológicos. Feita uma revisão retrospectiva dos prontuários dos pacientes submetidos a mesencefalotomia, entre 2005 e 2012, no Departamento da Central da Dor e Estereotaxia do A. C. Camargo Cancer Center, São Paulo, Brasil. A indicação cirúrgica foi restrita aos portadores de dor oncológica refratária aos tratamentos etiológicos e sintomáticos, com expectativa de sobrevida acima de 2 meses, cognição preservada, ausência de distúrbios de coagulação, infecção sistêmica ou hipertensão intracraniana. Foram selecionados 34 pacientes, com seguimento médio de 9,4 meses, idade média de 54,3 anos, tempo médio de seguimento até o óbito de 6,4 meses. O câncer de pulmão foi o diagnóstico mais frequente. Houve alívio satisfatório e imediato da dor em 91% dos casos, e 83% não tiveram recidivas. Dentre as complicações, o distúrbio da movimentação ocular foi o mais frequente, sendo em sua maioria de caráter transitório. Distúrbios permanentes ocorreram em 8,8% dos casos (diplopia, tremor rubral e parestesia). No que se refere à comparação com o tratamento farmacológico, o procedimento se mostrou economicamente viável, mais efetivo, além de fornecer qualidade de vida. Com os dados apresentados, foi permitido concluir que a mesencefalotomia é um procedimento viável para o controle da dor oncológica.

Abstract

This article aims to demystify the use of mesencephalic rostral reticulotomy (mesencephalotomy) in the treatment of chronic pain in cancer patients. A retrospective review of the two subjects was performed by the Department of Central da Dor e Estereotaxia of A. C. Camargo Cancer Center of São Paulo, Brazil, between 2005 and 2012. Surgical indication was restricted to patients with cancer pain refractory to etiological and symptomatic treatments; with expected survival of more than two months, preserved cognition, absence of coagulation disorders, systemic infection or intracranial hypertension. We selected 34 patients, with an average follow-up of 9.4 months, average age of 54.3 years, average follow-up time to death of 6.4 months. Lung cancer was the most frequent diagnosis. Satisfactory and immediate pain relief was achieved in 91% of the cases and 83% of these did not have relapses. Among the complications, the ocular movement disorder was the most frequent, being mostly transient. Permanent disturbances occurred in 8.8% of the cases (diplopia, tremor rubral and paraesthesia). Regarding the comparison with the pharmacological treatment, the procedure was economically feasible, more effective, besides providing better quality of life. According to the data presented, it was possible to conclude that mesencephalotomy is a viable procedure for the control of cancer pain in selected cases